Depois de tantos anos, o rabisca(n)do acaba por aqui.
Aos interessados, podem me encontrar por aqui, aqui ou aqui!
O blog fica aberto para releituras e etc's! :)
Deixo um monte de post-it no computador do quarto. Que não farão mais sentido quando voltar daqui a seis meses, mas funcionará como um marcador de tempo.
Por aqui, deixo algumas impressões de mundo.
É preciso se desvencilhar de algumas coisas para capturar tantas outras novíssimas em folha.
O intercâmbio funciona como um 'após a linha de chegada'. O que vem depois do pódio e dos louros da fama.
Deixo uma cidade com costumes provincianos.
Deixo de comprar, ao menos por enquanto, minhas revistas preferidas.
Deixo alguns ideais - para realizar muitos outros.
Deixo planos incabados - para serem finalizados com os que eu trouxer na mochila.
Deixo, deixo, deixo.
Deixo recados grudados na geladeira.
Pra lembrar que nada mudou na volta.
E na semana de despedida do Brasil, uma série de posts especiais sobre o assunto. Incluindo o lançamento do selo LIVE IN EUROPE que, a partir de hoje, será incluso em todo post referente ao intercâmbio nos próximos seis meses!
Seis meses longe de casa.
O máximo que passei foram longos 30 dias e já senti uma falta irremediável, talvez pela falta de maturidade na época.
Já faz um tempo, estive pensando, no que levo.
A certeza de ter feito amigos que vou levar pra vida inteira. Uma família memorável, que me conhece como ninguém (ao menos aqueles que dividem a mesma casa que eu). Colegas de trabalho que aprendi a admirar e virei fã de muitos. Levo as minhas impressões: de vida, de culturas, de opiniões diversas, de sons, fragrâncias e cores.
Levo uma saudade já na ida. Mas a absoluta certeza de ir atrás de um sonho, que não vem de hoje. E mais importante que realizar sonhos, é dividi-los. Com aqueles que vibram com a nossa felicidade, principalmente.
Levo na bagagem um monte de dúvidas e receios também. Afinal, são meses e meses distante do que a gente se acostuma a chamar de rotina diária. Mas a sensação de estar vivo se completa quando lançamos mão da mesmice e nos desafiamos.
Apreço e carinho também levo. Um pouco de cada um.
E deixo também. Mas isso eu escrevo num próximo post.

De uns tempos pra cá, Natal tem abandonado alguns ares interioranos e se tornado cada vez mais cosmopolita. Prova disso são as recorrentes inaugurações de novas lojas e algumas novidades noturnas. Ontem aconteceu uma espécie de "private section" no Juke Box Live Pub para imprensa, amigos e convidados.
// Quem passava na frente ontem não comentava outra coisa: as palmeiras iluminadas sobrepostas ao preto das paredes davam um ar de imponência a fachada da casa - localizada em um ambiente privilegiado, em frente a Praça Cívica.
// A cor preta é predominante em toda a decoração e é contra-balanceada com os móveis brancos como os grandes sofás e mesas moderninhas. O piso quadriculado, também, em branco e preto agradou a maioria.
// Nas pic-ups o famoso Dj Shato, proprietário do pub, comandou a noite com o melhor da house music. Shato inclusive divide a administração do Juke Box com mais dois amigos (e expert's no quesito balada): Diogo das Virgens e Gustavo Marinho.
// Fizeram press-pass na entrada: habitués da noite natalense, amigos dos proprietários, imprensa (pouca, diga-se de passagem), artistas locais e até algumas personalidades do cenário cultural da cidade - sinal que o pub veio para agradar diversas tribos.
// Uma escada interligando os dois andares - e mantida em seu estado original - trás aquele ar nostálgico ao lugar. Destaque para as placas sinalizadoras (banheiros, smoking hall...) que fazem referência a logomarca e, desse modo, mantêm a identidade do local.
// Confesso que senti falta de uma réplica de um Juke Box (só vi um de madeirite, na frente do fumódromo) e notei que o preto escureceu muito o lugar, vale repensar alguma arte (em branco) nas paredes.
// Uma noite agradável com ar de boas-vindas. Quem bebeu aprovou o atendimento do bar. Aliás, dos bares. Ao todo a casa conta com três bares (dois no andar de baixo e um no andar de cima). E o sistema é de comanda mas através de um cartão magnético.
// Ontem mesmo já ouviu-se alguns presentes se referindo ao lugar apenas como Juke, prova de que o pub cairá rapidinho no gosto dos natalenses - que sempre 'chamam' os lugares que gostam pelo "primeiro nome".
O fato é que todo natalense gosta de uma novidade. Nesse primeiro período é normal que a casa lote e receba muitos frequentadores. O grande desafio é se manter na província e não ser mais uma moda repentina - como tantas outras que já passaram por aqui.
Clássico, boêmio, chic, retrô e de bom gosto: tudo isso faz parte do 'cardápio' do Juke Box Live Pub - que o Rabisca(n)do Recomenda!

Feito um furacão. Sem deixar muitos rastros - ou apenas os que deviam ser vistos. Ainda sinto seu perfume inebriando toda a casa. Ela passou rápido. Mas foi o tempo necessário para mapear todos os compartimentos. Com seu jeito. Seus gostos. Sua voz.
Ela passou.
E levou aquela coleção de cds que havia trazido. Levou alguns livros que ficavam na estante e duas taças - que dizia ter trazido de Paris. Ela levou um pedaço que dizia ser meu, e agora percebo que tudo o que me pertencia chamava-se juízo. Lá vai ela, lá vai ela, segurem ela!
Ela passou.
E ninguém sabe pra onde. Ninguém viu. Ela sussurava poemas e bebia conhaque. Feito o último gole, cheirando a despedida, a loucura desvairada na varanda. Depois do derradeiro arrepio, ela se foi.
Como os artistas circenses que trazem alegria para as cidades do interior.
Me distraí, ela passou.
Cheia de trejeitos, gírias mundanas e vontade de viver. E agora escrevo cartas anônimas, poemas imaginários no teto da sala de estar.
As canções da noite anterior não me deixam esquecer.
Deixei escapar,
ela passou.



Há algo melhor que opinião?
Argumentos, teorias, defesas de teses...
Essa troca de ideias é fascinante. Engrandece o homem, eu diria. Mas ainda assim, pelo caminho, há quem prefira o tanto faz. Não apenas a expressão em si, mas levam a vida em cima de um muro. Seguindo a BR: sem escolher seus próprios destinos e caminhos, apenas seguindo.
É importante opinar, mesmo que para muitos as ideias possam soar como verdadeiros absurdos. Opine! Defenda aquilo que você acredita. Gente 'meio-termo' me sufoca. Me tira do eixo.
Quem discute só, vira discurso. E convenhamos, quase ninguém ouve discursos - por mais curtos que sejam. É uma espécie de simbiose comunicativa. Não há os que perdem, em todo caso é um aprendizado adquirido - sempre!
E aqui vale uma ressalva: a razão não possui donos. Embora rime, hierarquia não tem conexão com democracia. Por isso, concordando ou discordando, apresentem argumentos plausíveis.
Respondendo a pergunta que introduziu o post, há coisas melhores que opinião sim, e até prefiro. Mas é algo tão humano que encanta até os mais racionais dos corações. E, sinceramente, não dá mais para ficar no "tanto faz".

Parafraseando Geraldo Vandré no título, a noite de ontem foi a personificação para a teoria de que gosto não se discute. Mas se lamenta.
E tenho dito.

// Aquela que chamam de mais bonita do universo...

// E a potiguar Larissa Costa que nem entre as 15 finalistas conseguiu ficar
Vai entender.

Abri o jornal hoje de manhã e lembrei que há 20 anos morria um mito. Sim, de cantores chamamos outros, Raul Seixas é um nome que entrou para a história da cultura nacional. O que me faz lembrar de outros nomes. Que inventaram e se reinventaram.
Dedico a eles estes simplórios rabiscos. E aos que são a frente do seu tempo. Que marcaram a história de um modo tão sublime, fazendo arte, enfrentando palcos, nadando contra a corrente. Digno de aplausos - embora que, pelo caminho, ouvissem vaias.
Meus heróis morreram de overdose - diria Cazuza. E morreram mesmo, alguns.
Admiro os que, mesmo com futuro duvidoso investiram e acreditaram em suas ideologias. Talvez seja esse o segredo para que a partir daí outras ideologias fossem tomando porte - e inspirando as pessoas.
É tudo tão vanguardista. Tem cheiro de ideias libertas. Ideias narradas em um papel qualquer, em um quarto, numa poética madrugada. Ideias discutidas com outros sonhadores - que o senso comum batizou como loucos. É sempre assim, quem é genial nunca vai ser definido como normal. Não adianta fazer caso. É um ato de coragem. Não deve ser fácil.
Raul, Cazuza, Elis, Rita - mais viva do que nunca, e tantos outros. São registros de ideais disfarçados de vozes. De comportamentos fantasiados de artistas. Sim, artistas. Celebridades entitulamos os outros.

Passei o dia em outra freguesia. Há 3 meses desativada A Banca de Revistas voltou: com novo layout, novas tags e muitos posts! Quando quiserem ler meus pitacos sobre capas, revistas e outros assuntos que a gente só fala na banca é só clicar aqui. E também prosseguimos rabiscando por aqui.

Depois de indicar dois cd's, vamos para outra prateleira. E hoje é dia da banda pernambucana (e quase natalense): NÓS4, que lança seu mais novo DVD No canto da sala, gravado ao vivo na Praia do Jacaré (PB).
A capa já denuncia a simplicidade do produto e que não devemos esperar uma grande produção com ventiladores, plataformas saltitantes e letterings. E, acredite, isso é bom. A banda firmou um marcante sobrenome: menos é mais! E mais é ouvir a voz doce e categórica de uma tímida Juliana Fernandes em duo com o autêntico Ricardo Chacon. Talvez seja por isso que a mega produção fique em segundo plano, a banda é autosuficiente no quesito repertório, voz e, no caso do Chacon, presença de palco.
Já faz um certo tempo que os quatro abandonaram os sonhos 'adolescêntricos' mas nunca deixaram de flertar com boas referências, no show percorrem todas elas: desde Marisa Monte, Djavan, Chico Buarque e até, Carmem Miranda. Embora ainda seja difícil desvinculá-los da imagem de "cover", já começam a surgir músicas mais autorais, no show ainda de maneira tímida, mas na seção extra 'ao vivo na fábrica estúdios' do dvd há como conhecer quatro canções assinadas por Ricardo, Pero Bianchi e Breno Bezerra - entre elas, a minha preferida é a melancólica Sem Verso com, diga-se de passagem, versos inspiradores.
A cenografia, embora simples, remete a uma sala de estar aconchegante com móveis do século passado como baús e abajures clássicos - que em alguns momentos do show funcionam como única iluminação, criando um ambiente intimista.
Do show, tenho algumas interpretações preferidas: Sem Compromisso, Gitã, Pelas Ruas e É - a interpretação dessa última é algo tão bom que dá vontade de sair na rua fazendo arruaça, em memória aos protestos dos 'cara-pintadas'.
Confesso que senti falta de um making-off mais longo e melhor elaborado. Não que o do dvd não seja, longe disso. No quesito direção, produção e edição não há do que se queixar. Mas faltam entrevistas, gente falando... embora entenda perfeitamente a intenção: mostrar (de modo ágil e dinâmico) como foi idealizada a gravação. Porém, caberia inserções com depoimentos da equipe (e componentes do grupo) para que aqueles que desconhecem possam conhecer mais o trabalho da banda.
Se bem que o show é tão completo (repito: NÓS4 é autosuficiente) que, depois desse dvd, virar fã é inevitável.
